17 de agosto de 2015

três hipóteses

a.
entre os fios
dessa barba enrolada
há um coração

– eu sei
que há;

entre as diversões
atravancadas dessa memória
também há
infinitas despedidas; e

entre esses muitos olhos
triangulares haverá

– talvez –

um final feliz


b.
javali protuberante
na ponta do sapato

sou essa eterna sonolência
vigência-­símbolo do abandono

sou esse infinito
céu estrelado
encoberto pelas nuvens

do teu cigarro.


c.
risível antígona
olha pra mim – nos olhos –
e canta um ditirambo
uma ode ao fracasso um
estrondoso rock'n'roll
das miasmas do teu pensamento;
acenda a luz do porão, enfeite
o rio com gasolina:
cada partir fotográfico
ecoará este sem fim
volta, menina.